Que tal experimentar uma aula de yoga?

As pessoas vêem, cada vez mais, na prática regular de yoga, a solução ideal para encontrar o equilíbrio que tanto desejam entre a mente e o corpo. Além disso, parece haver cada vez mais pessoas utilizar esta filosofia como terapia para as mais diversas situações das suas vidas.

Ao longos dos últimos anos têm vindo a ser alocados muitos esforços ao nível académico e científico para investigar o constructo e para apurar os benefícios resultantes da sua prática. Tal como referido por Paula Nascimento e Firminiano Fonseca, num artigo escrito para a Revista Saber Viver, uma dessas investigações, realizadas pela Universidade de Wisconsin, demonstrou que a realização de exercícios de meditação, durante várias semanas, promove o aumento da atividade cerebral em áreas ligadas às emoções positivas. Pátañjali, sábio indiano, já tinha essa noção há milhares de anos. Dizia que o yoga é a “paragem voluntária dos turbilhões da mente”.

Assim é esta disciplina que não só nos permite gerir o stress, como atingir um estado de equilíbrio entre o domínio físico e psicológico. Não é isso que quer? Para isso, há que conhecer os princípios basilares desta filosofia. A palavra yoga em sânscrito significa união e o seu principal objetivo é unir o corpo e a mente, através de posições (asanas) combinadas com exercícios de respiração (pranayamas).

Tal como na teoria da acunpuntura, segundo a qual a energia do corpo (qi) flui pelos canais, no yoga a energia (prana) flui ao longo dos canais (nadis) que, de acordo com esta disciplina, ao ficarem bloqueados afetam o correto funcionamento do nosso organismo. Assim, a prática do yoga deve estimular os pontos de energia (chakras) que se encontram no centro da testa, da garganta, da coluna, do coração e do umbigo e perto do diafragma.

 

O mito da religião

É a vertente espiritual ligada ao yoga que ainda provoca alguma desconfiança nalgumas pessoas mais reticentes. Firminiano Fonseca, professor desta disciplina, desmistifica qualquer ligação a uma religião, afirmando que “o yoga é completamente ateu”. “Através da sua prática assídua e contínua existe um desprendimento da componente física, da qual estamos demasiado dependentes, e descobrimos a nossa espiritualidade que sempre existiu, mas à qual não damos muita relevância”, sublinha.

 

Benefícios comprovados

Um dos principais atractivos do yoga é o facto de poder ser praticado por qualquer pessoa, pois praticamente não envolve contraindicações. Para além dos seus benefícios amplamente comprovados ao nível da redução de stress e do estímulo da descontração, o yoga parece ter um efeito calmante em pessoas que sofrem de insónias. Também se demonstraram os seus efeitos positivos em quadros como tensão arterial elevada, dores nas costas e ansiedade crónica.

Mais recentemente, um estudo apresentado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica, com base numa investigação, sublinha o papel do yoga na recuperação física de pacientes que se submeteram ao tratamento de cancro da mama. Em Portugal, tal prática de está longe de ser a mais recorrente, mas em muitos outros países da Europa e dos Estados Unidos da América essa tem vindo a ser uma prática comum.

 

Iniciação ao yoga

O tipo de yoga mais praticado no nosso país é o hatha yoga (uma forma mais técnica e física da disciplina), o que se explica pelo facto de ser a vertente do yoga mais próxima do fitness, tendo inclusivamente dado origem a variações como o pilates ou o body balance, explica Firminiano Fonseca. O hatha yoga é considerada a variante que mais desenvolve as capacidades psicofisiológicas. “” significa sol e “Ta” lua. E, juntos, representam a união entre o feminino e o masculino, a união do equilíbrio entre a mente e o corpo.

Nestas aulas, é dada atenção especial às posições, respiração e meditação e a sua prática depende do professor e da preparação do aluno. O mais importante é que escolha um instrutor experiente. Segundo Firminiano Fonseca, nessa seleção, ”deve-se ter em conta o curriculum do professor, pedir a certificação do curso e o contacto da escola onde se formou, sendo esta a única maneira de se confirmar se está apto a dar aulas ou não.”

Depois passe à prática, “experimentando aulas (por exemplo num ginásio) e, se possível, em diversas escolas, para avaliar qual a abordagem que mais se adapta às suas características pessoais”, recomenda o professor. Uma vez pronto para ir às aulas, deverá optar por um vestuário confortável que lhe permita mover-se com facilidade. Geralmente, as aulas de yoga são praticadas com os pés descalços e idealmente pelo menos duas vezes por semana.

De acordo com Firminiano Fonseca, será essencial que tenha disponibilidade física para aprender a libertar o corpo da tensão que vai acumulando. Na vertente psicológica, terá de investir algum esforço e persistência, visto não ser fácil criar registos novos em termos mentais. No entanto, com a prática assídua, cria-se uma maior tranquilidade que permite enfrentar as solicitações do dia a dia.

Minidicionário

Comece a familiarizar-se com às expressões que vai ouvir se frequentar uma aula de yoga:

  • Asanas: Posições que favorecem a meditação
  • Chakras: Pontos de irradiação de energia que se localizam entre a base da coluna dorsal e o topo do crânio
  • Mantra: Cântico de palavras sagradas
  • Meditação: Técnica de atenção interior destinada a encontrar paz
  • Nirvana: Estado de paz total
  • Om: Palavra utilizada em mantras e entoada durante a meditação
  • Prana: Energia da vida ou corrente energética
  • Pranayama: Controlo do sistema nervoso pela respiração

 

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